Periodontia

Gengiva inflamada: causas, tratamento e como evitar que o problema volte

8 min de leituraPor Dr. Ricardo Pina

A gengiva inflamada é o problema bucal mais comum do mundo — e um dos mais negligenciados. Como raramente dói no início, muita gente convive meses ou anos com sangramento e inchaço, tratando com enxaguante e paciência. O problema é que a inflamação tem sempre uma causa, e enquanto a causa não for removida, ela progride. Este guia explica o que está por trás da gengiva inflamada e como o tratamento funciona de verdade.

O que causa a inflamação gengival

A causa número um é a placa bacteriana: a camada pegajosa de bactérias que se forma sobre os dentes todos os dias. Quando a escovação e o fio dental não a removem por completo, as bactérias liberam toxinas que irritam a gengiva — o corpo responde com inflamação: vermelhidão, inchaço e sangramento.

Quando a placa permanece, ela mineraliza e vira tártaro, uma crosta dura que só sai com instrumento profissional. O tártaro cria superfície áspera onde mais placa adere, e o ciclo se alimenta.

  • Placa bacteriana e tártaro: a causa de mais de 90% dos casos.
  • Restaurações mal adaptadas ou com rebarbas, que acumulam placa.
  • Alterações hormonais — gravidez, puberdade e menopausa aumentam a resposta inflamatória.
  • Medicamentos que reduzem o fluxo de saliva ou provocam crescimento gengival.
  • Fumo, diabetes descompensado e deficiências nutricionais, que enfraquecem a defesa da gengiva.
  • Respiração bucal e apinhamento dentário, que dificultam a higiene.

Gengivite ou periodontite? A diferença decide o tratamento

A gengivite é a inflamação restrita à gengiva, sem destruição do osso. Ela é 100% reversível com limpeza profissional e higiene corrigida. O problema é que ela não avisa quando deixa de ser só gengivite.

Na periodontite, a inflamação desceu pela raiz e começou a destruir o osso e o ligamento que sustentam o dente. Formam-se bolsas profundas entre gengiva e dente, e o dano passa a ser permanente. O tratamento muda de categoria: de limpeza para raspagem profunda e acompanhamento de longo prazo.

Só o exame clínico com sondagem periodontal — a medição da profundidade entre gengiva e dente — diz em qual dos dois estágios você está. Por isso o autodiagnóstico é arriscado: os sintomas iniciais são praticamente iguais.

Como é o tratamento profissional

O primeiro passo é o diagnóstico: exame visual, sondagem e, quando indicado, radiografias para avaliar o osso. Com o quadro definido, o tratamento remove a causa — não apenas os sintomas.

Para gengivite, a profilaxia profissional remove placa e tártaro e o polimento dificulta nova adesão. Para bolsas mais profundas, entra a raspagem e alisamento radicular, feita com anestesia, limpando as raízes abaixo da linha da gengiva.

Se existirem fatores locais que alimentam o problema — restauração com rebarba, prótese mal adaptada, dente encavalado — eles precisam ser corrigidos, senão a inflamação volta na mesma região.

O que funciona (e o que não funciona) em casa

Em casa, o que trata de verdade é a remoção mecânica da placa: escova macia com técnica correta duas vezes ao dia e fio dental uma vez ao dia. Nenhum enxaguante substitui isso — no máximo, complementa.

  • Escove a linha da gengiva com cerdas inclinadas a 45 graus, com movimentos suaves.
  • Use o fio dental abraçando o dente em formato de C, descendo abaixo da gengiva com cuidado.
  • Enxaguantes com clorexidina só devem ser usados por período curto e com orientação — mancham os dentes e alteram o paladar.
  • Bochecho com água e sal alivia o desconforto, mas não remove a causa.
  • Não pare de escovar a região porque sangra: o sangramento é consequência da inflamação, e é a higiene correta que vai revertê-la.

Por que a inflamação volta — e como quebrar o ciclo

A queixa mais comum é: 'fiz limpeza e a gengiva inflamou de novo'. Em geral, um dos três fatores ficou para trás: a higiene em casa não mudou, existe um fator local não corrigido (tártaro residual, restauração ruim) ou o intervalo entre as manutenções está longo demais para aquele paciente.

Quem já teve inflamação gengival tende a ter de novo se os intervalos se alongarem. A frequência certa de profilaxia é individual — para alguns, seis meses bastam; para quem acumula tártaro rápido ou tem periodontite controlada, três a quatro meses é o que mantém a gengiva quieta.

Como agendar sua avaliação no Itaim Bibi

A avaliação começa por uma conversa sobre o seu histórico, seguida de exame clínico completo e das radiografias necessárias. Só depois disso é montado o plano de tratamento, com as opções, o que cada uma resolve e o que cada uma não resolve.

O consultório fica na Rua Viradouro, 63 - cj 52, Itaim Bibi, São Paulo/SP, a poucos minutos da Vila Olímpia, Moema e Brooklin, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp.

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