Dentística

Dente quebrado: o que fazer nas primeiras horas e quais são as opções de reparo

8 min de leituraPor Dr. Ricardo Pina

Quebrar um dente é uma daquelas situações em que a reação nas primeiras horas influencia bastante o resultado final. Uma parte das fraturas é simples e resolvida com uma restauração bem feita; outra parte expõe o nervo, exige tratamento de canal e, se ficar sem proteção por dias, evolui para infecção. O problema é que nem toda fratura dói — e a ausência de dor faz muita gente adiar a consulta justamente quando o tempo importa.

Dr. Ricardo Pina, dentista no Itaim Bibi, durante atendimento clínico
Dr. Ricardo Pina atende no Itaim Bibi, em São Paulo, com foco em endodontia, periodontia e dentística.

O que fazer nas primeiras horas

Independentemente do tamanho da fratura, algumas medidas simples protegem o dente até a consulta.

  • Enxágue a boca com água em temperatura ambiente para remover fragmentos
  • Guarde o pedaço quebrado em leite ou soro fisiológico — em alguns casos ele pode ser colado de volta
  • Se houver sangramento, comprima com gaze limpa por alguns minutos
  • Aplique compressa fria por fora do rosto para conter o inchaço
  • Evite mastigar do lado afetado e evite alimentos muito quentes, gelados ou ácidos
  • Não tente colar por conta própria e não use cola doméstica em hipótese alguma
  • Procure atendimento no mesmo dia se houver dor intensa, sangramento do interior do dente ou dente móvel

Se o dente inteiro foi avulsionado

Quando o dente permanente sai completamente do alvéolo por trauma, o tempo é o fator crítico e o atendimento deve ser imediato — idealmente em menos de uma hora.

Segure o dente pela coroa, nunca pela raiz. Se estiver sujo, lave rapidamente em água corrente ou soro, sem esfregar e sem remover o tecido aderido à raiz. Se possível, reposicione o dente no alvéolo e morda uma gaze para mantê-lo no lugar.

Se não for possível reposicionar, transporte o dente em leite, soro fisiológico ou na própria saliva — nunca em água pura, que danifica as células da raiz — e vá imediatamente ao dentista. Em dentes de leite, não se deve reimplantar, mas o atendimento também é urgente para avaliar o germe do dente permanente.

Tipos de fratura e o que cada uma exige

A conduta varia bastante conforme a profundidade da fratura — e é isso que o exame clínico e a radiografia determinam.

  • Trinca no esmalte: linha superficial, sem perda de estrutura. Acompanhamento e, se necessário, polimento
  • Fratura de esmalte: pequeno lasquinho, sem sensibilidade. Restauração em resina em uma sessão
  • Fratura de esmalte e dentina: parte amarelada exposta, sensibilidade a frio e ar. Restauração com proteção da dentina, com certa urgência
  • Fratura com exposição da polpa: ponto avermelhado no centro, dor intensa. Exige tratamento endodôntico ou procedimento conservador imediato
  • Fratura da raiz: nem sempre visível, diagnosticada por radiografia. Prognóstico depende da altura da linha de fratura
  • Fratura vertical da raiz: linha que percorre a raiz no sentido longitudinal. Na maioria dos casos, indicação de extração

Por que dente quebrado sem dor também é urgente

A ausência de dor não significa ausência de problema. Quando a dentina fica exposta, milhares de túbulos microscópicos ficam abertos e formam um caminho direto até a polpa — e as bactérias percorrem esse caminho mesmo sem que o paciente sinta nada.

O que costuma acontecer: a pessoa quebra o dente, não sente dor, adia a consulta por semanas e volta com uma inflamação pulpar que agora exige canal. Um dente que precisaria apenas de uma restauração simples se torna um tratamento maior por causa da espera.

Há ainda o risco mecânico. Um dente com estrutura fragilizada e uma borda cortante tende a propagar a fratura a cada mastigação, transformando uma perda pequena em uma perda extensa.

Restauração em resina composta: quando é a melhor escolha

Para a maioria das fraturas pequenas e médias, a resina composta é a solução mais conservadora e resolve em uma única sessão. Ela é aderida à estrutura remanescente, permite reproduzir cor, translucidez e textura do dente e praticamente não exige desgaste de estrutura sadia.

A qualidade do resultado depende muito da técnica: seleção de cor sob condições adequadas, estratificação em camadas, isolamento do campo operatório e acabamento e polimento cuidadosos. É nesse detalhamento que se diferencia uma restauração que passa despercebida de uma que se vê à distância.

Em dentes anteriores, quando o paciente guardou o fragmento fraturado e ele está íntegro, existe ainda a possibilidade de colagem do próprio fragmento — a alternativa esteticamente mais fiel que existe, porque devolve a estrutura original do dente.

Quando resina não basta: coroas e restaurações indiretas

Em fraturas extensas, especialmente em dentes posteriores que suportam grande carga mastigatória, a resina direta pode não oferecer resistência suficiente a longo prazo.

Nesses casos a indicação recai sobre restaurações indiretas — onlays e coroas em porcelana — que abraçam as cúspides remanescentes e distribuem melhor as forças da mastigação, protegendo o dente contra novas fraturas.

A escolha considera a quantidade de estrutura remanescente, a posição do dente, a presença ou não de tratamento de canal, hábitos parafuncionais como o bruxismo e a exigência estética da região.

Bruxismo: a causa por trás das fraturas que se repetem

Quando um paciente quebra restaurações ou dentes com frequência, sem trauma evidente, a investigação precisa incluir bruxismo — o apertamento e ranger dos dentes, muitas vezes durante o sono.

As forças geradas no bruxismo superam em muito as da mastigação normal e provocam desgastes, trincas verticais no esmalte, fraturas de cúspide e falhas repetidas de restaurações. Tratar apenas a fratura, sem controlar a causa, garante que o problema volte.

O manejo inclui placa oclusal feita sob medida, ajuste da oclusão quando indicado e atenção aos fatores que agravam o quadro, como estresse e distúrbios do sono.

Atendimento para fraturas dentárias no Itaim Bibi

O Dr. Ricardo Pina atende casos de fratura dentária no Itaim Bibi com foco em preservação de estrutura. O diagnóstico usa radiografia digital e câmera intraoral, o que permite mostrar ao paciente a extensão real da fratura e discutir com ele as opções antes de qualquer intervenção.

A prioridade é sempre a conduta mais conservadora que ofereça um resultado duradouro: proteger a dentina exposta, preservar a vitalidade do dente quando possível e reservar procedimentos mais invasivos para os casos que realmente os exigem.

Situações de urgência têm prioridade de agenda. O consultório fica na Rua Viradouro, 63 - cj 52, Itaim Bibi, São Paulo/SP, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

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