Periodontia

Retração gengival: por que a gengiva desce, quando dá para corrigir e como frear o processo

9 min de leituraPor Dr. Ricardo Pina

A retração gengival costuma ser percebida por acaso: o paciente nota que um dente parece mais comprido que o vizinho, ou sente uma fisgada ao tomar algo gelado. É um problema comum, silencioso e progressivo — e a boa notícia é que, identificado cedo, a progressão pode ser interrompida. Este guia explica por que a gengiva desce, o que pode ou não ser recuperado e quais mudanças concretas evitam que o quadro piore.

Consultório do Dr. Ricardo Pina no Itaim Bibi, São Paulo
Consultório na Rua Viradouro, 63 - cj 52, Itaim Bibi, com atendimento individualizado.

O que é retração gengival

Retração gengival é o deslocamento da margem da gengiva em direção à raiz, deixando exposta uma parte do dente que deveria estar coberta. A raiz não tem esmalte: ela é revestida por cemento, uma camada fina e muito mais vulnerável a desgaste, cárie e sensibilidade.

Junto com a gengiva, muitas vezes há perda do osso que sustenta o dente naquela região. Esse é o ponto que separa um caso simples de um caso complexo: gengiva sem osso de suporte não volta ao lugar sozinha.

As causas mais frequentes

A retração raramente tem uma única causa. Na maioria dos pacientes é a soma de um fator anatômico com um fator mecânico ou inflamatório.

  • Escovação traumática: força excessiva, cerdas duras e movimento horizontal de vaivém desgastam gengiva e a superfície do colo do dente
  • Doença periodontal: a inflamação crônica destrói o osso de suporte e a gengiva acompanha a perda
  • Bruxismo e sobrecarga oclusal: a força repetida contribui para lesões na região cervical e para o recuo da margem gengival
  • Biótipo gengival fino: gengiva naturalmente delgada, com pouca resistência ao trauma
  • Posição do dente no osso: dentes inclinados ou vestibularizados têm tábua óssea muito fina, mais suscetível a perda
  • Movimentação ortodôntica inadequada, que empurra a raiz para fora do envelope ósseo
  • Piercings labiais ou linguais, que atritam a gengiva de forma constante
  • Tabagismo, que compromete a resposta dos tecidos e piora quadros periodontais

Sintomas e consequências

O sintoma mais lembrado é a sensibilidade: a raiz exposta tem túbulos que se comunicam com o interior do dente, e frio, doce ou ar podem provocar dor curta e aguda.

Há também o impacto estético, com dentes que parecem alongados e espaços escuros entre eles, sobretudo na região dos dentes da frente. E existe o risco funcional: a raiz exposta desenvolve cárie com mais facilidade e sofre desgaste, formando degraus na região do colo.

Quando a retração é acompanhada de perda óssea significativa, aparecem mobilidade dental e, em casos avançados, risco real de perda do dente — motivo pelo qual o diagnóstico da causa é mais importante do que tratar apenas o sintoma.

Como o diagnóstico é feito

A avaliação começa pela sondagem periodontal, que mede a profundidade do sulco ao redor de cada dente e identifica bolsas, sangramento e perda de inserção. Esse exame diferencia uma retração de causa mecânica de uma retração por doença periodontal ativa — o tratamento é completamente diferente nos dois casos.

As radiografias mostram o nível ósseo e permitem acompanhar a evolução. Também se avalia a espessura da gengiva, a presença de freios que tracionam a margem, a técnica de escovação relatada e sinais de bruxismo.

Registrar fotos e medidas na primeira consulta é o que torna possível saber, meses depois, se o quadro estabilizou ou continuou avançando.

Tratamento: o que dá para recuperar

O primeiro objetivo é sempre interromper a causa. Sem isso, qualquer correção tende a recidivar.

Quando existe doença periodontal ativa, o tratamento começa pela raspagem e alisamento radicular, com remoção do biofilme e do cálculo abaixo da margem gengival, seguido de reavaliação. Controlada a inflamação, define-se o que ainda precisa de correção.

Quando a causa é mecânica, a mudança de técnica de escovação, a troca para escova macia e o controle do bruxismo com placa costumam bastar para estabilizar o quadro.

Para recobrir a raiz exposta existem procedimentos de cirurgia plástica periodontal, como o enxerto de tecido conjuntivo. O resultado depende muito da quantidade de osso e de papila remanescente: recessões isoladas com estrutura preservada respondem bem; casos com perda óssea ampla entre os dentes têm recobrimento parcial ou não têm indicação cirúrgica.

Quando a cirurgia não se aplica, a sensibilidade e o degrau cervical podem ser tratados com dessensibilizantes, verniz fluoretado e restaurações em resina, que selam a área exposta e devolvem conforto.

Como escovar sem machucar a gengiva

Boa parte das retrações de causa mecânica melhora apenas com correção de técnica — e essa correção é gratuita.

  • Use escova de cerdas macias ou extramacias; escova dura não limpa melhor, só machuca mais
  • Segure a escova com pouca pressão — apoiar com três dedos ajuda a controlar a força
  • Faça movimentos circulares ou vibratórios curtos, inclinando as cerdas em direção à gengiva; evite o vaivém horizontal forte
  • Escove por tempo, não por força: cerca de dois minutos, cobrindo todas as faces
  • Troque a escova a cada três meses ou assim que as cerdas abrirem
  • Use fio dental diariamente, deslizando com cuidado em forma de C ao redor de cada dente
  • Se usar escova elétrica, deixe o aparelho trabalhar sem empurrar contra o dente

Prognóstico: o que esperar a médio prazo

Retração é uma condição que se controla, não que se apaga. Com causa identificada e removida, a maioria dos casos estabiliza e para de progredir — esse já é um resultado clínico relevante.

A sensibilidade costuma melhorar em semanas com dessensibilizantes e ajuste de higiene. O recobrimento estético, quando indicado, é planejado depois que o quadro está estável e a inflamação, controlada.

O acompanhamento periódico com medidas registradas é o que permite agir cedo se algo voltar a piorar, em vez de descobrir a perda anos depois.

Como agendar sua avaliação no Itaim Bibi

A avaliação começa por uma conversa sobre o seu histórico, seguida de exame clínico completo e das radiografias necessárias. Só depois disso é montado o plano de tratamento, com as opções, o que cada uma resolve e o que cada uma não resolve.

O consultório fica na Rua Viradouro, 63 - cj 52, Itaim Bibi, São Paulo/SP, a poucos minutos da Vila Olímpia, Moema e Brooklin, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O agendamento é feito diretamente pelo WhatsApp.

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